RAIZES AFRO


QUILOMBOS DA MARAMBAIA
UMA HISTORIA INCONVENIENTE
INTRODUCÃO MARAMBAIA - DEZEMBRO 2008 -  MONOBLOCO.
Qual a classificação que as religiões afro possuem?
Existem muitas teorias a respeito da classificação das religiões de matriz africana. Alguns estudiosos às classificam como sendo animistas, pois entendem que os Orixás são as forças ou elementos que animam a natureza. Alguns esotéricos até chamam os Orixás de Elementais, pois entendem que Eles são como estes seres protetores da natureza. Outros pesquisadores entendem que os Orixás são deuses, pois possuem templos dedicados à Eles, poderes capazes de realizar feitos incríveis e que podemos interagir diretamente com Eles. Há ainda uma terceira teoria que afirma o monoteísmo dessas religiões com base na análise da figura de Olódùmarè, que é completamente deixada de lado pelas teorias anteriores.
Olódùmarè (ou Ọlọ́runỌba-Ọ̀run, etc.) é entendido pelos iorubás como sendo o seu Deus. Detentor dos poderes que possibilitam e regulam toda a existência, tanto no Ọ̀run (mundo imaterial, transcendente) como no Àiyé (mundo material, imanente). É de Olódùmarè que vem o À, a força imaterial divina, poder de criação e transformação de todas as coisas.
Teólogos, desde Santo Agostinho de Hipona, têm afirmado que Deus é o ser supremo, princípio gerador do mundo nas religiões. O que sustenta o monoteísmo é a crença na existência de um único Deus que é a origem de todas as coisas existentes, sendo descrito com atributos de perfeição: infinitude, imutabilidade, eternidade, bondade, conhecimento e poder. Além destes, existem três atributos específicos que são amplamente divulgados: onisciência, onipotência e onipresença.
Em Olódùmarè encontramos todos esses elementos, pois Ele é o Criador, pois tudo aquilo que existe, inclusive os Orixás, todas as formas de espíritos, todos os seres viventes, e o próprio trabalho da criação da Terra, têm sua origem nEle; é rei, pois os iorubás o veem como um rei com majestade única e incomparável; é Juíz, pois todos os atos dos homens e até dos Orixás não escapam ao seu julgamento; é onipotente, pois para Ele nada é impossível; é imortal, pois a morte é criação sua e não pode submeter-lhe; é único, por isso não existe formas de culto, imagens ou pinturas, pois não pode ser comparado; é onisciente, possui a plena consciência; é transcendente, pois está acima do mundo; é entendido como sagrado tão ritual como eticamente.
Os Orixás, pelo contrário, não são deuses, pois não possuem essas qualidades. Os Orixás foram criados por Olódùmarè e ganharam dEle seus poderes, assim cada Orixá é entendido como uma manifestação deOlódùmarè, mas não Ele mesmo.
Cada Orixá tem demandas específicas e receberam de Olódùmarèpoderes para realizá-las. São intercessores dos homens junto a Deus e expressam a vontade de Deus junto aos homens. Em Teologia comparada com o cristianismo, os Orixás seriam criações semelhantes aos anjos. Possuem amplos poderes, mas não são oniscientes, pois dependem de Ọ̀rúnmìlà para tomar decisões; não são onipotentes, pois dependem uns dos outros para executar suas tarefas com plenitude; não são onipresentes, pois sua presença tem que ser evocada. Por isso tudo os Orixás não podem ser confundidos com deuses.
Se somente Olódùmarè é Deus, então a classificação das religiões de matriz africana só pode ser o monoteísmo.
Referências
ADÉKỌ̀YÀ, Olúmúyiwá Anthony. Yorùbá:tradição oral e história. Terceira Imagem: São Paulo, 1999.
BENISTE, José. Ọ̀run-Àiyé: o encontro de dois mundos: o sistema de relacionamento nagô-yorubá entre o céu e a terra. 6ª ed. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro, 2008. 336p.
BOTAS, Paulo Cezar Loureiro. Carne do sagrado, Edun Ara: devaneios sobre a espiritualidade dos orixás. Koinonia Presença Ecumênica e Serviço/Vozes: Rio de Janeiro/Petrópolis, 1996.
DEUS. Wickipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Deus>. Acesso em: 24 maio 2012.
DEUS. Enciclopédia Microsoft Encarta 2001. Microsoft Corporation, 2001. 1 CD-ROM.
ÌDÒWÚ, E. Bólájí. Olódùmarè: God in yorùbá belief. Longmans: Londres, 1968.
KI-ZERBO, Joseph. História da África negra. 3ª ed. Europa-América: Portugal, 1999.
SANTOS, Juana Elbein dos. Os nagô e a morte: pàdé, aèè e o culto égun na Bahia. Petrópolis: Vozes, 1986.
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás:deuses iorubás na África e Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 1997.
Fonte/Crédito: Bàbá Hendrix ti Ọ̀rúnmìlà - Blog Orumilaia

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